Um torneio de futebol disputado somente por integrantes da Igreja Católica, à sombra da Basílica de São Pedro no Vaticano teria tudo para ser um exemplo de fair play. Teria.
Tudo ia bem até a final na Clericus Cup de 2007, entre a Pontifical Lateran University e a Redemptoris Mater College, quando houve um pênalti nos minutos finais do jogo. Foi só o juiz marcar a penalidade em cima do atacante costa-riquenho da Redemptoris Mater para que os seminaristas da Pontifical Lateran University cercassem o juiz alegando que o atacante havia se atirado. "Você não poderia nem mesmo apitar uma pelada," gritava um dos jogadores da Lateran.
Redemptoris Mater (camisa amarela) e Pontifical Lateran University(de branco)disputaram a final do Clericus Cup, no Centro de Recreação Desportiva de São Pedro em Roma.
Graças à discussão, foram distribuídos diversos cartões azuis - uma punição de alguns minutos para os jogadores esfriarem a cabeça - lá chamada de "sin bin", algo como "expulsão por pecado". E mesmo assim, os protestos continuaram mesmo após o apito final.
"Jogadores sacerdotais? Piores que o Materazzi" dizia o diário La Stampa. O repórter italiano que assistiu à final disse que a confusão toda só aconteceu pelo elevado número de jogadores italianos em campo. "Foi exatamente como um domingo da Serie A, embora sem os votos", disse ele.
A penalidade (convertida) deu o título a Redemptoris Mater College e, ao apito final os jogadores vencedores correram para saudar os seus torcedores (que cantavam em latim) para depois se esbaldar com champanhe.